Tratamento sem medicamentos para TDAH


O TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção é considerado um problema de saúde pública mundial. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM V, estima-se a prevalência em 5% das crianças e 2,5% em adultos.

Trata-se de um problema no funcionamento de certas áreas do cérebro que comandam o comportamento inibitório (freio), a capacidade de executar tarefas de planejamento, a memória de trabalho (entre outras funções), determinando que o indivíduo apresente sintomas de desatenção, agitação e impulsividade.

O tratamento convencional baseia-se no uso de medicamentos estimulantes, Metilfenidato (ex: Ritalina, Concerta), que podem causar efeitos colaterais, sendo que nem todos os pacientes se adaptam ao uso dos mesmos. Desde 1970 o neurofeedback tem sido pesquisado no campo do TDAH e nos distúrbios de aprendizagem, e hoje soma uma sólida fundamentação científica com diversos artigos publicados por renovados PhD’s.

Em um levantamento feito entre 1995 e 2013 foram encontrados sete estudos (os estudos estão citados nas referências bibliográficas) comparando o treinamento neurológico com o uso do medicamento no tratamento do TDAH, sendo que no total de 365 pacientes, dentre eles crianças, adolescentes e adultos, de diversas idades, 57% participaram de grupos experimentais com tratamento por neurofeedback, enquanto 43% participaram de grupos com tratamento exclusivo medicamentoso, utilizando o estimulante metilfenidato (Ritalina).

Os resultados de todas as pesquisas demonstraram melhoras significativas equivalentes nas medidas de desatenção, impulsividade, processamento de informação e variabilidades atencionais, tanto no treinamento por neurofeedback como no uso de medicamento, mas as pesquisas revelaram que os “ganhos” permaneceram somente nos participantes que passaram por sessões de neurofeedback, além das imagens do exame de fMRIs, demonstrarem que somente os participantes desses grupos obtiveram mudanças funcionais em estruturas cerebrais, enquanto nenhuma mudança foi observada nos grupos com tratamento medicamentoso.

Os pesquisadores foram unânimes em considerar o treinamento por neurofeedback como eficaz na redução dos sintomas do TDAH, sendo uma opção de escolha ao tratamento, pois além de produzirem resultados equivalentes aos obtidos por drogas estimulantes, o neurofeedback tem a capacidade de normalizar os sistemas cerebrais que funcionalmente medeiam a atenção seletiva.

Renomadas associações americanas, dentre elas a Associação de Psicologia Americana (APA), a Associação de Psicofisiologia Aplicada e Biofeedback (AAPB) e a Sociedade Internacional de Neurofeedback e Pesquisas (ISNR), classificaram com nota máxima, o uso do neurofeedback no tratamento de TDAH, reconhecendo assim, o treinamento neurológico como eficaz e específico (Arns et al., 2009).

COMORBIDADES DO TDAH

A grande preocupação dos pesquisadores está relacionada à elevada taxa de comorbidade. Segundo Kay e Tasman. (2002), o Trantorno Desafiador Opositor e o Transtorno de Conduta estão presentes em 40 a 70% dos casos de TDAH, além de 15 a 20% de crianças com TDAH apresentarem transtornos do humor, 20 a 25% transtornos de ansiedade e 6 a 20% incapacidades de aprendizagem. Estudos também revelam que, principalmente na idade adulta, 9 a 40% apresentam problemas de abuso ou dependência de drogas (Azevêdo et al., 2009).

SINTOMAS DO TDAH

O TDAH pode ser observado desde a idade pré-escolar, embora a hiperatividade ser referida com maior frequência antes do déficit de atenção. A tríade que compõe o transtorno é a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade.

O quadro clínico de desatenção pode ser identificado pela dificuldade de prestar atenção a detalhes ou frequentemente cometer erros por descuido em atividades escolares/trabalho, não escutar quando lhe dirigem a palavra, esquecer com frequência atividades diárias, perder coisas necessárias para tarefas ou atividades, evitar ou relutar a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental, distrair-se facilmente por estímulos alheios à tarefa, dificuldade para organizar tarefas e atividades, não seguir instruções e não terminar seus deveres escolares/profissionais, e ter dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.

A hiperatividade se caracteriza por frequentemente agitar as mãos ou os pés ou se remexer na cadeira, abandonar a cadeira em sala de aula, correr ou escalar em situações inapropriadas, ter dificuldade em brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer e agir como se estivesse a “mil”.

Os sintomas da impulsividade incluem dar respostas precipitadamente antes de as perguntas terem sido completadas, ter dificuldade de aguardar sua vez, interromper ou se meter em assuntos de outros.

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Tenha um dia saudável e mais consciente!

Fernanda B. Francah: Psicóloga, Neuropsicóloga e especialista em Neuromodulação: biofeedback / neurofeedback.

Diretora do BRAIN HEALTHY INSTITUTE – Instituto do Cérebro Saudável

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Azevêdo PVB, Caixeta LF, Mendes GM. Estudos epidemiológicos em neuropsiquiatria infantil com ênfase no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Rev Bras Neurol. [periódico na Internet]. 2009 [acesso em 29/09/2013]; 45(4):35-40. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2009/v45n4/a35-40.pdf

ESTUDOS:

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